É muito bonito (e clichê) observar crianças. Principalmente quando se tem os olhos já não tão puros quanto os dela. É incrível a capacidade de acreditar, de sorrir, de sonhar e de valorizar o outro. Anliás, não só incrivel como invejável mesmo. Às vezes queremos profundamente ter qualquer uma destas capacidades, mas simplesmente não conseguimos. Somos as mesmas pessoas, mas eu pergunto: o que mudou?
Quando acabamos de chegar nesse mundo, tudo é surpresa, é novo e inusitado. Vejo pelo meu irmão adotivo, que viveu entre os muros de um abrigo até 2 anos de idade, e viu pela primeira vez um bicicleta quando veio à minha casa. Seu rosto diante da janela era o melhor retrato do que se trata o encantamento e a melhor definição do conceito de admiração. É uma experiência singular observar esse processo. Observar a inocência do não-conhecimento das coisas (que se chama infância).
Enquanto crianças, não temos medo de revelar o que de fato o homem é, por isso nos espantamos. Por que todos nós, ao mesmo tempo que tememos, amamos as coisas novas. Fomos feitos para admirar as coisas.
Tudo o que é novo traz este "thaumatzo", este espanto. Nós só desenvolvemos a capacidade de discernir e avaliar o que é bom e o que é mau depois que a surpresa já passou, e nós começamos a conhecer de fato as coisas. Essa passagem maravilhosa, ao passo que dramática, se chama adolescência, mas, isso é assunto para outros textos. e eu acho que essa é a diferença.
Discernir para escolher, conhecer para entender, são coisas maravilhosas, e fazem parte do desenvolvimento da vida. Isso é amadurecer. Mas mesmo diante do conhecimento das coisas, nós não deveríamos deixar de nos espantar. Ao contrário! Deviamos nos espantar mais. Pouco conhecimento nos acostuma a conhecer as coisas; muito, nos traz admiração por conhecê-las. Porque, quando nos acostumamos, a vida perde a beleza.
Meu desejo em relação à humanidade é que, mesmo depois de anos "levando sustos" e observando coisas novas, não deixemos de nos sentar em frente a janela e admirar as bicicletas.
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