Descansa, minha alma,
Dorme exausta.
Faz da noite o teu berço
E tua cama de núpcias.
Cerra os olhos e sonha...
Sonha bem, que a noite é
curta.
Esquece do teu corpo,
Manchado,
Das tuas mãos sujas
e dos teus pés cansados.
Corre sem pés e escreve
Sem mãos.
Sê livre de mim,
minh'alma.
Do pior de mim.
Repousa - eu lhe imploro
Repousa,
Que eu me mantenho em vigília
Pela tua paz.
Aproveita cada centímetro sem tamanho
Dos teus lençóis macios.
Mergulha desse travesseiro,
Como que sem volta.
Esquece da idade,
Do tempo, e sai voando!
Deixa tudo para trás,
E vive só!
E não se inquieta
Que a tempo,
E antes do tempo,
O sol vem te chamando -
Manso e forte.
Quando for hora de viver,
saberás.
Mas não pensa,
por hora, e nem anseia!
Não perde a tua noite conflagrada.
Cerra os olhos, e sonha...
Esquece do teu corpo...
Descansa, minha alma.
Dorme exausta.
quinta-feira, 15 de março de 2012
É como se eu estivesse vivendo, e, um dia, sem mais nem menos, eu dormi. Para não acordar mais!- e eu não falo de morte. Tudo é, de uma hora para outra, uma coletânea de sonhos - bons, ruins e mornos - que aleatoriamente me atravessam.
É como se eu estivesse caminhando na pacata e familiar rua, quando de repente, começo a pisar em nuvens fofas, e não há mais rua. Pra não fazer feio, fingi que entendi e prossegui. Não entendo nada! Tudo é presente e incognoscível... E são tantas essas nuvens... Que eu não enxergo. Esfrego os olhos o tempo todo: o erro deve estar em mim. E a minha casa? Onde está a minha casa? E os meus braços? E os meus abraços...?
Caminho, caminho... E o caminho é um sonho que tem cara de coisa eterna. Será que eu não falo mesmo de morte?
Eu só sei que eu vivia. E era bom. Foi o tempo eu que eu sentia os pulmões plenos e o coração batendo num samba insuportavelmente feliz. O sangue fervendo, correndo até os fios de cabelo - coisa que era só minha. Eu tinha olhos - olhos de verdade! - desses que vêem outros olhos, vêem outras almas e falam com os sentimentos alheios.
Hoje eu tenho só um umbigo horroroso; dois pés de soldado - resignados como todo bom oficial - e um par de mãos geladas. E essas nuvens.
Na rua, eu parava pra observar as nuvens: sempre distantes, amorfas e macias. Eu as queria, sem tê-las. Eu almejava as nuvens... E hoje elas me sufocam. "Eu odeio as nuvens! Que lente torpe me fez almejar as nuvens?! Malditas sejam as nuvens... Malditas sejam as lentes..."
Sinto saudades da rua. Dos sapatos gastos, e das meias engolidas. Lá havia minha casa... Lá era minha casa.
Eu almejava as nuvens, mas amava a rua.
E dela agora eu guarda uma lembrança nebulosa e uma - quase morta e bem fraca - esperança de retorno... E um umbigo horroroso... E dois pés de soldado... E um par de mãos geladas...
Será que eu não falo mesmo de morte?
É como se eu estivesse caminhando na pacata e familiar rua, quando de repente, começo a pisar em nuvens fofas, e não há mais rua. Pra não fazer feio, fingi que entendi e prossegui. Não entendo nada! Tudo é presente e incognoscível... E são tantas essas nuvens... Que eu não enxergo. Esfrego os olhos o tempo todo: o erro deve estar em mim. E a minha casa? Onde está a minha casa? E os meus braços? E os meus abraços...?
Caminho, caminho... E o caminho é um sonho que tem cara de coisa eterna. Será que eu não falo mesmo de morte?
Eu só sei que eu vivia. E era bom. Foi o tempo eu que eu sentia os pulmões plenos e o coração batendo num samba insuportavelmente feliz. O sangue fervendo, correndo até os fios de cabelo - coisa que era só minha. Eu tinha olhos - olhos de verdade! - desses que vêem outros olhos, vêem outras almas e falam com os sentimentos alheios.
Hoje eu tenho só um umbigo horroroso; dois pés de soldado - resignados como todo bom oficial - e um par de mãos geladas. E essas nuvens.
Na rua, eu parava pra observar as nuvens: sempre distantes, amorfas e macias. Eu as queria, sem tê-las. Eu almejava as nuvens... E hoje elas me sufocam. "Eu odeio as nuvens! Que lente torpe me fez almejar as nuvens?! Malditas sejam as nuvens... Malditas sejam as lentes..."
Sinto saudades da rua. Dos sapatos gastos, e das meias engolidas. Lá havia minha casa... Lá era minha casa.
Eu almejava as nuvens, mas amava a rua.
E dela agora eu guarda uma lembrança nebulosa e uma - quase morta e bem fraca - esperança de retorno... E um umbigo horroroso... E dois pés de soldado... E um par de mãos geladas...
Será que eu não falo mesmo de morte?
Assinar:
Comentários (Atom)