quinta-feira, 15 de março de 2012

Descansa, minha alma,
Dorme exausta.
Faz da noite o teu berço
E tua cama de núpcias.

Cerra os olhos e sonha...
Sonha bem, que a noite é
curta.

Esquece do teu corpo,
Manchado,
Das tuas mãos sujas
e dos teus pés cansados.

Corre sem pés e escreve
Sem mãos.
Sê livre de mim,
minh'alma.
Do pior de mim.

Repousa - eu lhe imploro
Repousa,
Que eu me mantenho em vigília
Pela tua paz.

Aproveita cada centímetro sem tamanho
Dos teus lençóis macios.

Mergulha desse travesseiro,
Como que sem volta.

Esquece da idade,
Do tempo, e sai voando!
Deixa tudo para trás,
E vive só!

E não se inquieta
Que a tempo,
E antes do tempo,
O sol vem te chamando -
Manso e forte.

Quando for hora de viver,
saberás.

Mas não pensa,
por hora, e nem anseia!
Não perde a tua noite conflagrada.

Cerra os olhos, e sonha...
Esquece do teu corpo...
Descansa, minha alma.
Dorme exausta.

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