Não sei se eu quero voltar pra tentar apagar o incêndio... Alguma coisa em mim quer essa chama acesa, porque é a única coisa que me aquece - mesmo que eu tenha que lidar com as cinzas depois. Mesmo que tudo fique sem cor. Mesmo que não sobre nada de mim.
Eu queria dizer que a minha mão sem a tua sabe o que faz, mas eu não posso. Porque você vê as minhas obras tortas. E as rosas que eu pinto estão sempre descontentes.
A minha cidade é barulhenta enquanto tudo aqui dentro silencia, com medo da música errada virar o seu nome. São silêncios finos esses que tecem os meus dias. São as pausas entre as minhas palavras e os pequenos deslizes dos meus sorrisos. E eles vão se entrelaçando sem que eu mesma eu dê conta. E quando me dou por mim estou lá eu, vestida com a fantasia que o meu próprio medo fez.
A vida não pára, não cansa e não perdoa. Me engole, me digere e não tem pena de mim. Me joga de um lado para o outro, e te põe no meu coração sem me perguntar o que eu queria.
Estive andando pela casa, lendo os meus olhos tristes, e me lembrei que esqueci os seus olhos dentro dos meus, esperando, quem sabe, o amor, mostrar que sempre esteve lá.

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