segunda-feira, 28 de abril de 2014

Última lágrima


Às vezes aperta. 
Mas é só às vezes.

O coração vai ficando pequeninho 
e vai transbordando lembrança pelos olhos.
As coisas boas parecem que vão embora 
e as ruins,
fazem a festa.

Nessas horas é que eu lembro
que gente feliz também fica triste.

Fica faltando alguma coisa 
que eu não sei bem o que é. 
Fica faltando alguma coisa que deveria ter ficado.

Ou melhor...
A bem da verdade
É que a gente sabe que nem devia ter chegado,
que foi tudo um equívoco.
Que a solução é deixar ir
(mesmo soluçando entre um apelo e o outro).

Mas tem essa coisa irracional e burra dentro da gente, 
e a gente se pega dizendo: 
“Fica.”

O resto da gente
– a parte que pensa –
bate na testa e diz:
“Olha ela, fazendo besteira.”
Mas a gente não escuta, e piora:
“Fica, por favor.”

Chega uma hora que essa coisa de “Fica” cansa
e a gente vai embora.
Chega uma hora que chega 
se não a gente vai morrer
de tanto procurar o amor
aonde ele não mora mais.

Mas aí é tarde...

Já doeu.
Já sonhou.
Já pensou nos planos,
nos filhos e nas viagens.
Já disse até “Eu te amo”.
Nossa... Muito “Eu te amo”.
Já dormiu junto.
Já acordou junto sorrindo,
e já quis isso pra sempre.
Já prometeu um monte de coisa
que vai ficar na história 
ou no esquecimento.
Já machucou
e se deixou machucar.
E já se esqueceu do orgulho.

Já se fez de tudo,
muito mais do que se devia.

Sobraram os dois,
cada um no seu canto.
Sofrendo de um jeito que o outro nunca vai saber,
e se convencendo de que sofre muito mais.

Quando me falaram do amor
esqueceram de mencionar como ele dói
quando tem que ir.
E que quando ele vai
as lembranças gostosas ganham um sabor amargo
e se transformam em espinhos.
Se cravam com força no peito da gente.
Dói demais...
Talvez por saber
que não haverão mais lembranças gostosas.

Mas tudo isso passa.
Até esse nó imenso na minha garganta,

cheio de coisa pra dizer.

E a vida continua.
Essa coisa toda cicatriza
pra lembrar que foi dor,
mas que já foi embora.

E é muita tolice,
com tanta coisa pra fazer,
ficar fazendo drama 
e escrevendo poema
por causa de amor.

Me diz: 
o que é que a gente sabe do amor?

Só que é essa coisa gratuita e imensa,
que vai embora se for preciso.
Que vai continuar amando
(mesmo indo embora)
e que quando falta, aperta às vezes.

Mas é só às vezes.

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