O que é que você tem nesse teu peito vadio? Nessa sua barba não feita? Nessa falta de importância das coisas? É como uma chuva fina no fim de um dia quente; um colo materno para um par de joelhos ralados ou duas asas ruflantes pra quem é feito de liberdade por dentro.
Veste essa tua fantasia de alegria e sai, porque onde o teu coração mora todo dia é carnaval. Chega sorrindo, me toma pela mão e me leva pra rua, que a noite só está começando e o dia só serve pro sono. Me ensina a rir e a ver e a viver também. Me ensina o teu silêncio e me tira o meu.
Desconcerta todos os meus planos perfeitos. Pinta todos os muros altos que eu construí dentro de mim, e suja a ponta do meu nariz.
Todas as suas cócegas e as suas implicâncias; todas as suas histórias e os seus risos; todas as suas irrelevâncias e os seus medos... Tudo o que falta em mim quando você não está. Quando a noite está fria, e a rua deserta, e eu calo a mente pro sono chegar, ainda aí, resta esse sussurro constante na minha lembrança (tão constante que é quase uma presença).

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