quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tatuagem



Eu devia escrever teu nome debaixo da minha pele, rapaz. Letra por letra escrever dos teus olhos nos meus olhos. Escrever tudo que diz respeito a nossa história e deixar marcado dentro e fora de mim. Tornar tudo isso lembrança, porque eu sei que vai ser ausência. Fechar os olhos e fingir que é ternura, porque eu sei que é só faz-de-conta. 
Preciso sentir que alguma coisa tua está comigo de verdade. Um nome... Não muito. Só um nome.
Não que eu ame, não que eu sofra, mas é que eu precise. Porque tem um vazio imenso dentro de mim que precisa de um nome. Não que eu queira, não que eu acredite, mas é que eu me engane. Porque é só pra encontrar um jeito menos triste de enxergar as coisas.
Existem tantas coisas que não podem existir... As cartas que eu não escrevo, porque você não lê. As palavras que eu calo, porque não escuta. A lágrima que já nem cai de tão cansada, porque você não vê. E silêncio após silêncio, eu continuo rindo.
No meio da bagunça e da noite não tem espaço pra vazio. Quanto sentimento pra só dois corpos... É tanto que não existe. Que nem precisa existir. E é por isso que é só isso, e que não vai ser mais.
Talvez nem se deva escrever sobre isso que não existe, nem contar pra ninguém. Talvez nem se deva pensar, porque se eu pensasse, existiria. Talvez eu só deva escrever teu nome debaixo da minha pele, rapaz. Letra por letra escrever dos teus olhos nos meus olhos. Escrever tudo que diz respeito a nossa história e deixar marcado dentro e fora de mim.

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