terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Boemia




Uma cerveja gelada
Um fim de tarde bem quente
Uma meia duzia de gente
(Da minha gente, é claro)
E um cigarro de artista
Que hoje a tela é a vista, e tudo o que ela não alcança.

A noite, não tarda, começa
Recomeça

Como toda noite
Nos arcos da lapa:
Incessantemente bonita.

Um gole. Um trago.
Tudo pra hora passar.
Mas ela não passa.

Estar ali e não estar, dá no mesmo.
E ainda sim é preciso,
E eu acabo rindo, mesmo quando dói,
Porque eu preciso dessa beleza.
Uma beleza melancólica,
Dessas que não pode se dizer que se aprecia.
Tem cara de companhia,
Mas é uma solidão acompanhada.

Ossos do ofício
De ser solta no mundo.

Mais um trago. Mais um gole.

"A noite, não tarda, começa."

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