quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pra não deixar ir


Vem me salvar das minhas ideias loucas e da minha meninice, que eu não tenho prudência e nem documento. Me salva também dessa saudade que me visita sempre, e que só vai embora quando você chega. Antes que, tarde demais, minhas asas batam de pressa e eu saia voando por ai.
Sabe, isso de ir embora é muito perigoso. Às vezes, eu esqueço o caminho de casa, e tudo parece muito distante, e eu me sinto só. Como naquele dia na praia, que eu fui pro mar sozinha e quando me dei conta estava muito longe da areia. Eu tive medo. Nadei de pressa. E não quis mais ficar sozinha no mar. Depois eu olhei de novo, e o mar era tão bonito... Que eu fui. E tive medo. E fiquei só. E voltei. A cada dia que passa eu tenho a impressão mais forte de que um dia eu vou pra não voltar, porque a solidão é uma dor que seduz a gente. E a melancolia às vezes é bonita, que nem o mar. Mas, por favor, não deixa nenhuma distância ser pra sempre. Eu preciso nadar, e voar, e ir... Mas preciso voltar também. E isso eu não sei. Se eu começar a me demorar, me busca, e nada comigo se for o caso, que eu sou muito menina ainda. E vou ser muito menina pra sempre. Mal caibo dentro desse corpo de mulher, e não pretendo caber. Minha vida inteira é não caber, porque é o meu excesso que me move. Me protege do meu excesso também.
Me salva do meu riso frouxo, da minha tranquilidade e da minha inconstância. Me salva dessa prisão que eu chamo de liberdade. Estou com as mãos atadas às minhas ideias malucas, muito mais que às minhas vontades. Me lembra de vez em quando que nem tudo é uma poesia, e que pés no chão, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém, só aos sonhadores. Quando eu rir de você e te deixar perdido, não desiste de mim. É meu jeito de ter medo e de manter o coração encoberto pra não deixar ninguém ver o que tem dentro. Talvez seja bonito demais pra entender, ou triste demais pra se ver, ou complicado demais pra se amar... É melhor esconder. A propósito, me convença do contrário. Eu vou usar a voz, o corpo e a alma e vou trocar os seus pensamentos de lugar, mas é tudo de brincadeira. Ainda sim, você vai ficar bravo. Se eu te deixar bravo, como sei que vou deixar, briga, mas briga com amor. Se eu chorar, fica triste, mas não mostra. Não deixa o meu carinho te fazer esquecer depois. Me ensina a ser melhor que eu te ensino a balançar nas árvores, a escrever poesia e a pintar um monte de coisa bonita.
Podendo ser dois, escolha ser um só, e vamos, porque a vida não espera. Me salva, que eu te salvo também. É só querer, e amar. Vem de pressa, antes que, tarde demais, minhas asas batam de pressa e eu saia voando por ai. 

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