Finge que me escuta,
Enquanto eu finjo que lhe falo.
Que depois eu finjo que me calo
Pra conservar a boa conduta.
Engana a vontade de falar-me
Que eu logro o desejo de ver-te.
Que logo se apaga o filete
Da brasa que se alastraria em vexame.
Abafa a alegria do face a face,
E ameniza a força do teu abraço.
Não me deixa sentir que é regaço
O espaço que entre teus braços faz-se.
Disfarça a frustração do teu olhar,
Que eu encubro o meu olhar cansado.
Que eu disfarço o peso do fardo
Que é ouvir tua voz na quebra do mar.
Deixa o vento levar o que lhe atrapalha,
Deixa o tempo passar por cima da imprudência,
Aguenta firme - sei que és forte - tem paciência.
Que a recompensa vem à tempo:
[não tarda, nem falha.]
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