domingo, 2 de dezembro de 2012

As mãos


Algumas vezes, sem hora marcada ou permissão concedida, umas mãos precisam de outras. Vem de um sentimento frágil (próprio de quem é feito de porcelana por dentro) e culmina na ponta dos dedos e no canto dos olhos.
Nas extremidades dos braços elas oscilam  e se embolam nelas mesmas em pequenos movimentos incertos. Tudo porque ali falta um outro par de mãos, que as tomaria como duas conchas a muito custo encontradas em uma praia deserta. As acariciaria como quem nutre o amor incondicional pela pelúcia de um ursinho da infância. As beijaria com o zelo de um pai e a intensidade de um amante. O carinho daquelas mãos seria suficiente para amar um corpo inteiro.
Se um dia tuas mãos forem necessárias, se um dia um par de olhos umedecidos pela tristeza procurar os teus pedindo, caridosamente, um par de mãos, não nega, não se demora, nem pestaneja: pega aquelas mãos oscilantes, com zelo de pai e intensidade de amante e as beija. Dá as mãos e dá-se inteiro. E antes que os lábios se descolem das duas conchas encontradas a muito custo em uma praia deserta, um corpo inteiro, agora amado, trará em cada gesto e em cada traço a paz singular das mãos preenchidas.

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