Eu vi passando a menina travessa
Que corre pôr do sol à fora,
Correndo, ventando, ela se demora
Morrendo de amores pelo que lhe é viver.
Se distraia com dos detalhes o
menor
E via vida onde ninguém mais via.
"A noite é para ela como o dia"
O pai, rindo, costumava dizer.
Era o alvo de etiquetas de toda
espécie:
Desajeitada, atabalhoada, ventania.
Mas se lhe pudesse dar um nome, seria Maria.
Pra sempre rimar com "alegria" no final.
Se lhe dessem asas, voava.
Se lhe puxassem para o chão, não se continha.
Se procurassem lhe encontrar, se escondia
Por trás das diversas artimanhas dela mesma.
Os cabelos anelados emolduram
Um rostinho pequeno cantando alegria,
Mas num cantinho do olho alegre, jazia
Uma peculiar vontade de ser bem quista.
E ela se fazia de malabarista,
De bailarina, de pintora, de atriz.
De cantora, de escritora, e até, de feliz.
E tentando achar o que faltava se perdia.
E desse modo a menina viveria
Buscando um espaço onde coubesse o seu sorriso
Até perceber que o faltava e era preciso
Era ter a noite como dia,
Era ser a menina ventania,
Era correr pôr do sol a fora,
Só sendo Maria.

Nenhum comentário:
Postar um comentário