Tanta estrela no céu; tanta lua no mar; tantas luzes no
horizonte colorindo a vista... E, ainda assim, aqui dentro é tudo tão escuro. O
céu limpo, tão limpo, que parece feito à mão; a brisa soprando mansa pra dizer
que não é mais primavera... E, ainda sim, uma chuva fina parece cair em mim o
tempo todo. Aonde nasce o sol da alma da gente? Aonde acende a lâmpada que
ilumina o coração?
Não sei em que parte de mim eu me perdi nessa terra aonde as coisas não são como deveriam ser (aliás, como as coisas deveriam ser?). Não sei pra que serve essa dor constante, pequena e melancólica, nem quando ela acaba. Ora uma dorzinha gostosa, de bicho de pé. Ora uma dor que parece um bicho enorme correndo atrás de mim. Mas sempre ela. Não sei como funciona isso de saber que se é feliz mesmo quando se está triste. Não sei como se faz pra saber das coisas, menos ainda por que preciso sabê-las.
Essa coisa de cantar, e de dançar, e de abraçar, e de dar colo, e de querer colo, e de beijar, e de falar em silêncio, e de não parar de falar, e de gritar no papel, e de chorar por qualquer coisa, e de rir pra tudo, e de ter medo, e de amar, e de doer, e de sangrar, e de viver... Essa coisa de ser eu é bastante confusa. E machuca às vezes. E eu não sei como é isso. Acho que é esse escuro que não me deixa ver as coisas. Elas vêm me atropelam e me acariciam; me batem e me abraçam; me amam e me desamam e vão embora pra longe... E eu nem vi, porque estava escuro. E eu não tenho culpa. E ninguém tem. E, na verdade, isso não importa. O que importa é que essa confusão toda não me deixa nem perceber o que importa. As luzes no horizonte? A lua? A brisa? O céu? As estrelas no céu, elas importam? E as estrelas do chão, que andam nos olhos das pessoas. Essas estrelas que eu vejo o tempo todo e que me fazem ter vontade de amar, muito mais que as estrelas do céu? Elas importam? E as estrelas dos meus olhos? Importam também? A vida responde com uma coisa que não é saber, nem não saber... E me deixa confusa de novo.
Ah, esse escuro... Esse escuro traiçoeiro que não me deixa ver as coisas, e por isso o odeio. Esse escuro sábio, que me permite sentir todas elas, e por isso o preciso. Onde todas as coisas se escondem e onde eu brinquei na minha infância. Onde tudo é prazer e pesar. Onde as horas da chegada e da partida se encontram, e eu me encontro repartida entre tudo o que existe. Ah, esse escuro tão maior do que eu mesma. Do tamanho do meu mistério. Meu mistério que gosta de brincar com os meus próprios pensamentos e mais ainda com os pensamentos alheios.
O que você guarda pra mim? O que você quer de uma menina tão menina que não cabe numa pintura de mulher? Que vive entre o balanço e a gangorra, que corre na calçada e brinca de adivinhar as nuvens? O que você espera de um par de asas que voou pra fora de si mesmo e não sabe mais como se volta? O que você pretende comigo, que não sei nada de mim mesma, e isso é tudo o que eu sei? Ah, esse escuro... O que você tem nessa sua ausência de luz? Que eu nem sei mais se é ausência ou se é excesso... Se é um escuro sem graça e ausente ou é um clarão que cega os meus olhos e espera, no silêncio sereno da malandragem dos homens vividos, que eu entenda que nada tem ele de escuro. E que os olhos da humanidade é que não aguentam tanta luz. E que na minha pequena existência, eu não entenderia tanta cor.
O que você espera? Porque eu espero também. E meus ombros estão exaustos. E meu corpo, a mente já desengonçou. Mas estou de pé. Ainda estou de pé. E com a pouca força que me resta eu tiro de dentro do sentimento, recolho do fundo dos meus pulmões e te entrego com a leveza de uma alma cansada: O que você espera?
Não sei em que parte de mim eu me perdi nessa terra aonde as coisas não são como deveriam ser (aliás, como as coisas deveriam ser?). Não sei pra que serve essa dor constante, pequena e melancólica, nem quando ela acaba. Ora uma dorzinha gostosa, de bicho de pé. Ora uma dor que parece um bicho enorme correndo atrás de mim. Mas sempre ela. Não sei como funciona isso de saber que se é feliz mesmo quando se está triste. Não sei como se faz pra saber das coisas, menos ainda por que preciso sabê-las.
Essa coisa de cantar, e de dançar, e de abraçar, e de dar colo, e de querer colo, e de beijar, e de falar em silêncio, e de não parar de falar, e de gritar no papel, e de chorar por qualquer coisa, e de rir pra tudo, e de ter medo, e de amar, e de doer, e de sangrar, e de viver... Essa coisa de ser eu é bastante confusa. E machuca às vezes. E eu não sei como é isso. Acho que é esse escuro que não me deixa ver as coisas. Elas vêm me atropelam e me acariciam; me batem e me abraçam; me amam e me desamam e vão embora pra longe... E eu nem vi, porque estava escuro. E eu não tenho culpa. E ninguém tem. E, na verdade, isso não importa. O que importa é que essa confusão toda não me deixa nem perceber o que importa. As luzes no horizonte? A lua? A brisa? O céu? As estrelas no céu, elas importam? E as estrelas do chão, que andam nos olhos das pessoas. Essas estrelas que eu vejo o tempo todo e que me fazem ter vontade de amar, muito mais que as estrelas do céu? Elas importam? E as estrelas dos meus olhos? Importam também? A vida responde com uma coisa que não é saber, nem não saber... E me deixa confusa de novo.
Ah, esse escuro... Esse escuro traiçoeiro que não me deixa ver as coisas, e por isso o odeio. Esse escuro sábio, que me permite sentir todas elas, e por isso o preciso. Onde todas as coisas se escondem e onde eu brinquei na minha infância. Onde tudo é prazer e pesar. Onde as horas da chegada e da partida se encontram, e eu me encontro repartida entre tudo o que existe. Ah, esse escuro tão maior do que eu mesma. Do tamanho do meu mistério. Meu mistério que gosta de brincar com os meus próprios pensamentos e mais ainda com os pensamentos alheios.
O que você guarda pra mim? O que você quer de uma menina tão menina que não cabe numa pintura de mulher? Que vive entre o balanço e a gangorra, que corre na calçada e brinca de adivinhar as nuvens? O que você espera de um par de asas que voou pra fora de si mesmo e não sabe mais como se volta? O que você pretende comigo, que não sei nada de mim mesma, e isso é tudo o que eu sei? Ah, esse escuro... O que você tem nessa sua ausência de luz? Que eu nem sei mais se é ausência ou se é excesso... Se é um escuro sem graça e ausente ou é um clarão que cega os meus olhos e espera, no silêncio sereno da malandragem dos homens vividos, que eu entenda que nada tem ele de escuro. E que os olhos da humanidade é que não aguentam tanta luz. E que na minha pequena existência, eu não entenderia tanta cor.
O que você espera? Porque eu espero também. E meus ombros estão exaustos. E meu corpo, a mente já desengonçou. Mas estou de pé. Ainda estou de pé. E com a pouca força que me resta eu tiro de dentro do sentimento, recolho do fundo dos meus pulmões e te entrego com a leveza de uma alma cansada: O que você espera?

Nenhum comentário:
Postar um comentário